Uma vindima “normal”

Depois de dois anos de Vindimas estranhos e opostos se passarem, um por ter começado demasiado cedo, o outro por ter começado demasiado tarde, sentimos agora que estamos a voltar à normalidade.

Artigo de opinião por Vasco Rosa Santos 

A Vindima deste ano foi seca, como seria de esperar depois de um início de Verão que ajudou pelas temperaturas simpáticas e um final de Agosto e inicio de Setembro mais quentes e bastante prometedores.

Na adega, costumamos dizer que “ano de bom melão é sinal de bom vinho” e podemos afirmar que este ano comemos muito bom melão. Assim, a nossa expectativa é de confirmarmos também a produção de um bom vinho.

A vinha esteve saudável do princípio ao fim e as análises reforçam o que encontrámos no interior da adega. Vinhos aromáticos com bom balanço de acidez, maturação nos brancos e mostos tintos com cor, assim que entram na cuba de fermentação, prometendo vinhos com longevidade e muita fruta.

Dizemos frequentemente que os olhos também comem. Olhar para um lagar e ver a cor viva e profunda de um Touriga Franca ou de um Syrah transmite-nos alegria e deixa-nos já com sensação parcial de dever cumprido. Sabemos, no entanto, que para estar cumprido este desígnio, ainda necessitamos de realizar algumas etapas fundamentais e incorrer em muito esforço e dedicação aos processos necessários para finalizar a Vindima.

O potencial existe e tudo faremos para o explorar e aproveitar da melhor forma que sabemos. O final da Vindima aproxima-se, mas a equipa tem de continuar motivada para acabá-la com a qualidade e perícia que nos define na produção. Ambicionamos dizer no final que não errámos em nenhuma fase e que nos concentrámos e potenciámos as melhores características das nossas uvas. Para isso, temos de assegurar as escolhas técnicas mais acertadas, de forma a garantirmos um vinho com qualidade de referência. É um trabalho difícil e rigoroso, mas não é impossível.

Bom resto de Vindima a todos e bons vinhos.