O Alpendre, uma segunda casa

Se é um facto que Arraiolos se tornou conhecida devido à tapeçaria ancestral, não é menos verdade que existem muitos motivos para visitar esta vila. Um dos mais importantes acontece à mesa do restaurante O Alpendre, uma paragem imprescindível no roteiro gastronómico da região.

Se o repasto é memorável, o atendimento não lhe fica a dever. Neste espaço tipicamente alentejano encontramos a hospitalidade típica de José Severino, cuja ligação ao Monte da Ravasqueira se estende para além da garrafeira que encontramos no seu restaurante.

“A minha relação com o Monte da Ravasqueira é de longa data e de grande amizade pois começou quando eu tinha 13 anos. Foi o meu primeiro trabalho e tinha como missão guardar as ovelhas. Hoje guardo o vinho”, graceja José Severino que serve todos os vinhos do Monte da Ravasqueira por tão bem convergirem com os pratos d’O Alpendre. E explica porquê:

 

“São vinhos muito bem aceites por todos os nossos clientes e fazem uma excelente parelha com os nossos pratos. Os tintos casam bem com as nossas especialidades de carne e a carta de brancos tem apenas os vinhos da Ravasqueira”, destaca José Severino.

 

A sua ligação ao Monte da Ravasqueira tem décadas e é bem evidente quando nos fala da saudade que deixou “o senhor José Manuel de Mello, um homem íntegro, de palavra e de respeito. Era o que mostrava, sem trazer dúvidas. Até hoje é com muito gosto que recebo a sua família e colaboradores do Monte da Ravasqueira. Todos eles têm um pouco desta cultura e forma de ser. E os seus vinhos também.”

(…) grande amizade começou quando eu tinha 13 anos. Foi o meu primeiro trabalho e tinha como missão guardar as ovelhas. Hoje guardo o vinho”

Saudado o anfitrião e constatada a simpatia, damos por nós sentados à mesa com a maior das dificuldades. Na carta d’O Alpendre predominam carnes do montado alentejano, como porco preto, vitela e borrego. Em matéria de migas, pode dizer-se que aquele espaço é um verdadeiro templo pois a oferta vai desde as alentejanas às migas de espargos, de tomate, coentros, entre outras. As diferentes variações não estão lá para confundir o cliente, mas para convidar à descoberta de diferentes e subtis sabores da gastronomia alentejana, fundada em ingredientes simples mas de uma riqueza extraordinária quando bem conjugados. A estes se juntará o pairing ideal. José Severino não hesita: “se fosse eu a escolher ou aconselhar, sem dúvida, sugeria o Reserva da Família Tinto ou o Vinha das Romãs para acompanhar os nossos pratos de carne. Já as migas de bacalhau, servidas dentro de pão torrado – uma especialidade da casa há 18 anos – pedem mesmo o Ravasqueira Alvarinho”.

 

Chegados à sobremesa, confirmaremos que O Alpendre é justamente reconhecido pelos doces conventuais: pastel de toucinho, doce típico de Arraiolos e a Miga dos Ganhões, especialidade da casa feita com doce de ovos e noz. Todos estes pratos agradecem um Ravasqueira Late Harvest, ou um licoroso da Ravasqueira a acompanhar. Uma refeição memorável, que convida a um regresso assim que possível.

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